Eleição de Bolsonaro marca fim da Nova República, diz historiadora

Em 1932, pouco antes de Adolf Hitler chegar ao poder, o discurso da direita na Alemanha era de que ele era um agitador, passível de controle, de enquadramento no sistema. Falava-se que era evidente que ele não poria em prática tudo aquilo que sustentava oralmente.

Quando uma figura de fora do sistema fica popular e defende os interesses da classe dominante em diferentes planos (no caso de Bolsonaro, no econômico), verifica-se uma inércia desse sistema. Hitler era um personagem coadjuvante, insignificante, assim como Bolsonaro. Todos achavam que ele assim permaneceria, que seria engolido pelas forças sistêmicas. Nunca acontece isso.

Para mim, no dia 3 de janeiro de 2019 [dois dias após a posse de Bolsonaro], o MST e o MTST serão declarados organizações terroristas. No começo de fevereiro, o PT vai ser interditado. Haverá um expurgo na administração pública, que já está em preparação.

Não se trata de um Trump, de um provocador antissistema politicamente incorreto. Bolsonaro tem, por trás dele, uma estrutura de pensamento muito coerente, em que se articulam corrupção, comunismo e perversão moral.

Mas muita gente não se deu conta de que o regime atual morreu na noite do domingo passado. Nos livros de história, vamos escrever: Nova República, 1985-2018